Lar e saudade 23 Março, 2008
A casa da saudade 12 Março, 2008
“A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração“
(Henrique Maximiliano Coelho Neto)
A casa da saudade chama-se memória… Algumas vezes escolho ir até lá, mas em outras sou tragada, assustada, sem nem ao menos perceber, para dentro dela. Em algumas dessas visitas inusitadas estou num cômodo que rouba um sorriso dos meus lábios. Foi em fração de segundos que me descobri ali, experimentando uma sensação gostosa que rompe em riso e, no auge da alegria, faz brotar uma lágrima, motivando-me a celebrar a vida, escrevendo a alguém “só” pela gratidão de tê-lo em minha história. Outras vezes, o lugar que visito não é tão agradável… Ou o é, não sei… É estranho quando isso acontece, o coração aperta, revela a incerteza de como cheguei até lá, e não sei muito bem o que vou encontrar. Esse cômodo, por mais que tenha tanta vida e me brinde com doces bolhas de boas memórias, traz a certeza do nunca mais. É ai que as lágrimas se multiplicam e molham os lábios, que teimam em sorrir, ao olhar o bom que houve. Não é possível escrever com gratidão, restando uma oração silenciosa, que parece me transportar dali e me fazer descansar em paz. Celebrar a vida, dessa vez, é perseguir o exemplo e fazer nascer sementes… Flores e frutos que não morrerão, já que a vida fala mais alto que a morte. Nesse entra e sai da memória, em que você não escolhe fato, momento, pessoa ou lugar, descobre-se, enfim, que a vida, a cada instante, deve ser celebrada. Aumentam-se, assim, os cômodos, eternizando aquilo que é precioso e mantendo aquecido e afinado o canto do coração.
OFICINA DO TEXTO 7 Março, 2008
Esses últimos dias foram muito bons.
Voltei de Campinas muito feliz, foi um tempo bom lá. Melhor foi chegar e ter o privilégio de fazer a “Oficina do Texto”, com Janice Rogers. Foi um tempo de ver pessoas que eu admiro, tempo de ver o quanto gosto de escrever, mesmo que a minha indisciplina me roube muito. Foi tempo de aprender muito, nao apenas sobre escrever, mas sobre a vida. Presente de Deus para mim, de verdade!
Durante a “Oficina” tivemos vários exercícios, sendo que um dos meus resultados preferidos, em relação ao meu trabalho, foi um texto baseado em Mt 17:1-8. A proposta foi que apresentássemos esse trecho da Bíblia num outro formato. Minha escolha foi transportá-lo para a página de um blog, o de Pedro. Espero que você goste dele, assim como eu gostei de escrevê-lo.
Sou amigo do filho de Deus… Você sabe o que é isso?
Ontem foi uma manhã como outras, mas não em meu coração. Ainda podia ouvir Jesus falando que iria sofrer perseguições, morreria e que ressuscitaria ao terceiro dia. Isso era muito confuso para mim, afinal de contas ele é aquele que ressuscitou a menina e ensinou tanto sobre a vida. Por que deveria, então, morrer? Ele, a pessoa mais bondosa que eu conheço não merece morrer. Ele, Cristo, o Filho do Deus vivo, ser perseguido por líderes judeus. Isso não faz sentido. Mas o que faz sentido afinal?
Há alguém tempo atrás, quando ele passou por mim e me convidou a segui-lo, eu não duvidei. Abandonei minha rede e o segui prontamente. Eu não sei o porquê, só sei que ele me inspirou tanta confiança, que aceitei o convite. Depois disso entendi um pouco melhor o meu coração, afinal ele fala sobre vida, o Reino de Deus, cuida das pessoas. Nunca vou me esquecer do dia em que ele multiplicou pães para que todos pudessem se alimentar e não tivessem que ir embora. Ele ama estar com as pessoas. Ele andou sobre as águas alguns dias atrás e eu, duvidando que fosse ele mesmo, pedi que me fizesse andar também. E ele fez. É claro que minha dúvida assumiu o controle da minha vida, roubou minha alegria e me afundou, literalmente, alguns segundos depois. Mas, naquele dia, eu cri que ele é o Filho de Deus.
Pouco depois de acordarmos ele convidou ao Tiago, ao João e a mim para irmos ao monte orar. Mais um convite irrecusável dele. Eu amo estar com ele, ouvir suas palavras, aprender com suas atitudes. Está certo que muitas vezes ele precisa chamar a minha atenção, já que deixo de me preocupar com o Reino de Deus e o que faz diferença em nossas vidas e me preocupo com meus “achismos”. Ele precisou me lembrar, há dois dias atrás, que precisamos perder nossa própria vida para desfrutarmos do Reino de Deus e que ele será, provavelmente, o primeiro a passar por isso.
Não sei por que eu duvido tanto, mas sei que ao chegarmos ao monte algo novo aconteceu. Ainda não compreendi plenamente, mas sei que, mais uma vez, tive certeza de quem ele é. Mais do que isso, eu tive convicção do quanto Deus é real e do quanto fiz uma boa escolha ao me aproximar de Jesus. Num piscar de olhos Jesus começou a brilhar tanto que eu mal podia vê-lo. Suas roupas eram tão brancas que pareciam um raio de luz cortando a escuridão. Por incrível que pareça não fiquei com medo e, de repente, vi Elias e Moisés, que começaram a conversar com Jesus. Eles, cujos corpos nunca foram encontrados, estavam ali, conversando com o Filho de Deus, da mesma forma que eu converso.
Eu não sabia o que fazer, só sabia que era muito poder e muita paz naquele lugar. Fiquei perdido e quis fazer alguma coisa para que aquele momento não acabasse. O melhor, para mim, seria deixá-los confortáveis para conversar e eu me dispus a montar tendas para que eles não tivessem que se preocupar com nada ou então ter pressa para ir embora. Eu mesmo não queria ir embora, essa era a grande verdade. Aquilo para mim era a maior demonstração do poder e da glória de Jesus e explicava tantas coisas.
Quando contive minha empolgação comecei a falar para Jesus que iria montar as tendas, balbuciei algumas palavras e algo sobrenatural aconteceu. Uma presença se fez marcante naquele lugar, como uma nuvem num dia cheio de neblina, e eu tive certeza de que o próprio Deus estava ali. Ouvi uma poderosa e doce voz, cheia de autoridade e amor, dizendo: “Este é o meu Filho amado que alegra o meu coração”. Jesus, o meu amigo, alegra o coração do seu Pai. Ao escolher andar comigo, ao investir na minha vida, ao amar as pessoas, ele alegra o coração de Deus. Que prazer fazer parte daqueles que ele convidou para segui-lo.
Meu coração se encheu de alegria, mas o temor foi maior e eu me prostrei. Não tive medo, mas não conseguia ficar de pé diante de tanta autoridade. Eu sou falho demais, duvido demais… Acho que sou o único que viu tantas coisas e ainda tem atitudes como essa. Pedro, Pedro, por que você ainda reconhece Simão tão vivo dentro do seu coração.
Mas Jesus veio. Reconheci seus passos, de pés que arrastam as sandálias, e meu amigo se aproximou, ajoelhando-se ao meu lado. Tocou no meu ombro e isso acalmou meu coração. Tenho certeza de que nunca mais vou duvidar de quem ele é, da forma como ele age. Na verdade tenho convicção de que posso dar minha vida por Jesus quantas vezes isso for preciso. Ele me disse, então, para levantar e não ter medo. Quando abri os olhos não havia mais ninguém ali. Moisés e Elias não estavam ali, a nuvem da presença de Deus havia se dissipado. Só restava Tiago, João, Jesus e eu. Os amigos que experimentaram o Reino de Deus naquele lugar. Os amigos que se conhecem e que, por isso, se amam e fazem bem um para o outro. Sou amigo do filho de Deus… Você sabe o que é isso?


